Johannes Gensfleisch von Gutenberg nasceu em Mainz, Alemanha no ano de 1396. Proveniente de família nobre, teve de se exilar em Estrasburgo, em 1430. Gutenberg era ourives de profissão, inventou a prensa e os tipos móveis de metal. Sua novidade revolucionou a técnica de impressão por volta de 1450 e foi fundamental para mudanças significativas na civilização do século XV, as quais causam influência até os dias atuais. De acordo com Bacelar (1999) Gutenberg produziu em 1453, uma Bíblia impressa em latim, em vários volumes e múltiplas cópias, que viria a ser o seu trabalho de consagração — a Bíblia de Gutenberg, B-42, livro que inaugura oficialmente a fundação da imprensa no Ocidente (RIBEIRO, G. M.; CHAGAS, R. L.; PINTO, S. L. p. 33). Esse artigo tem o objetivo de trazer contribuições sobre o impacto da imprensa escrita para a Reforma Protestante. Após a morte de Gutenberg, em 1468, a prensa e os primeiros livros impressos, chamados de incunábulos, ganharam popularidade e mercado, devido à rapidez do processo produtivo, bem como pelo barateamento do livro que logo poderia ser popularizado. Poucos anos depois da impressão da primeira Bíblia, máquinas impressoras estavam instaladas em toda a Europa: em 1470 na França, 1472 na Espanha, 1475 na Holanda e na Inglaterra, 1489 na Dinamarca. A imprensa não demorou a alcançar o Novo Mundo: os primeiros prelos foram instalados em 1539 na Cidade do México e no ano de 1638 em Cambridge (BAPTISTA apud MANGUEL, 2014, p.32). Sabe-se que até a metade do século XV, a civilização era composta em sua maioria por analfabetos, numa estrutura social baseada no pilar da Igreja e da nobreza, o controle social era efetuado pela fé e pelos dogmas, sem questionamentos. Com a invenção de Gutenberg, a estrutura social conquista uma nova perspectiva, pois, passou a ser utilizada como instrumento de difusão da Reforma Protestante, além da democratização do saber (RIBEIRO, G. M.; CHAGAS; PINTO, S. L. apud SCHILLING, 2007, p. 31). É importante ressaltar que no campo religioso, especificamente em 31 de outubro de 1517, na Alemanha, começou a eclodir a crise que levaria à Reforma Protestante liderada por Martinho Lutero. Nesse período, os ideais de Lutero também começaram a se expandir pela Europa. Bacelar (1999) comenta sobre o aumento da produção e divulgação de textos: A produção e distribuição de uma variedade explosiva de textos tornou-se rapidamente impossível de conter. Cópias impressas das teses de Lutero foram rapidamente divulgadas e distribuídas, desencadeando as discussões que viriam a iniciar a oposição à ideia do papel da Igreja como único guardião da verdade espiritual. Bíblias impressas em linguagens vernáculas, em alternativa ao latim, alimentaram as asserções da Reforma Protestante que questionavam a necessidade da Igreja para interpretar as Escrituras — uma relação com Deus podia ser, pelo menos em teoria, direta e pessoal (BACELAR,1999, p. 3) O aumento dos livros estava diretamente ligado a Reforma Protestante colocada em marcha por Martinho Lutero, a partir de 1517, e depois por Calvino e outros, tinha como uma de suas bases, a possibilidade do cristão comunicar-se diretamente com Deus, sem a necessidade de mediadores. Mas como Deus poderia participar desse diálogo com seus filhos? Em um livro — a Bíblia. Assim, a prensa de Gutenberg foi o meio que levou Lutero e suas 95 teses e bíblias traduzidas para o alemão às mãos e aos lares de todos os príncipes e pobres na Europa. A Reforma tinha um veículo incrível para se dirigir e o momento na história não poderia ter sido melhor para que isso fosse realizado (RODRIGUES, 2012). Há aqueles que afirmam que a disseminação dos protestos de Lutero, na escala em que ocorreu, só foi possível graças ao invento de Gutenberg, a força motriz que dinamizou transformações no Ocidente tão rapidamente e que, sem ela, até poderia haver mudanças paradigmáticas, mas não com a intensidade e rapidez com que ocorreu (RIBEIRO, G. M.; CHAGAS; PINTO, S. L. apud Chaves, 2007, p. 31). No entanto, a verdade é que a invenção da imprensa escrita foi um momento estratégico na história que forneceu os meios perfeitos para um fim antes já estabelecido. O próprio Deus planejou e cronometrou perfeitamente todas essas transformações para que todos tivessem o conhecimento da Sola fide (somente a fé), Sola scriptura (somente a Escritura), Solus Christus (somente Cristo) Sola gratia (somente a graça), Soli Deo gloria (glória somente a Deus), estaríamos perdendo o verdadeiro significado do evento se não parássemos para apreciá-lo sob essa luz (LINEAGE JOURNEY). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BACELAR, J. Apontamentos sobre a história e desenvolvimento da imprensa. Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação, Lisboa, 1999. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/bacelar_apontamentos.pdf. Acesso em: 29 out. 2020. BAPTISTA, C. F. Do Papiro Ao E-Book: uma história social dos suportes da informação. Disponível em:https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/265/1/Pedro%20Ivo%20BiblioTCCpdf.pdf. Acesso em: 28 out. 2020. LINEAGE JOURNEY. The Press Behind the reformation. Disponível em: https://lineagejourney.com/episodes/episode-17-the-press-behind-the-reformation/. Acesso em: 29 out. 2020. RIBEIRO, G. M.; CHAGAS, R. L.; PINTO, S. L. O renascimento cultural a partir da imprensa: o livro e sua nova dimensão no contexto social do século XV, 2007. Disponível em: https://revistas.unipar.br/index.php/akropolis/article/viewFile/1413/1236. Acesso em: 28 out. 2020. RODRIGUES. Gutenberg e o letramento do ocidente. 2012. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/331168282_GUTENBERG_E_O_LETRAMENTO_DO_OCIDENTE. Acesso em: 28 out. 2020. NOTAS ¹Graduada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual da Paraíba.²Teve como objetivo uma volta às Sagradas Escrituras, a fim de reformar a Igreja que havia caído numa decadência teológica, moral e espiritual.³Acadêmico, pregador, professor e catalisador da Reforma Protestante iniciada na Europa no século XVI. Texto por: Heloísa Micaele Brito1